27 abril 2010

Lá terei de começar a andar de comboio…


Por esta não contava agora, mas realmente as coisas estão a ficar complicadas e não me restam grandes alternativas…
Já ninguém duvida que está para breve a cobrança de portagens nas auto-estradas 28, 29 e 41, aliás, é já mais que certo que a partir de 1 de Julho de 2010, os utilizadores destas 3 auto-estradas vão começar a desembolsar uns quantos cêntimos ou euros, dia, após dia, após dia…
Não era difícil adivinhar que esta acção iria só ser tomada após as eleições, o mais difícil é mesmo compreender como é que houve, mesmo assim, tanta gente a dar um voto de confiança ao governo do PS nas ultimas eleições, apesar de muitas destas pessoas assistirem à colocação dos pórticos de portagem há vários meses atrás (muitas destas mesmas pessoas ficaram até retidas por várias vezes no trânsito por causa das obras de colocação destes sistemas nas auto-estradas).
Este senhor Primeiro-Ministro, anda-nos a meter a mão no bolso e a sacar o dinheiro todo. Para ele e para os seus colegas e amigos há frotas de carros “topo de gama” novos pagos pelo Estado, há prémios de produtividade (até mesmo para aqueles que conseguem fazer com que as empresas publicas que gerem dêem milhões de euros de prejuízo), há viagens pagas indevidamente, e têm direito a tudo e mais alguma coisa sem nunca terem de fazer o mínimo sacrifício ou dar um exemplo correcto de integridade, seriedade e honestidade, quando pedem mais uma vez ao povinho para “apertar o cinto”!!!!
Aos utilizadores destas auto-estradas que votaram PS nas últimas eleições, eu só vos digo: “Bem feito!!! Ide para o Caralho! Vocês são burros ou ainda precisam de mais para compreender que andamos a ser comidos???!!!”.
É que realmente não vejo nada de decente a ser feito por estes anormais que estão a gerir o País!!! Tudo bem que a economia mundial esteja de rastos e eles não têm culpa, mas só os vejo preocupados com os bolsos deles, com os “Magalhães”, com os “TGV’s”, com os “Aeroportos” e com os “subsídio-dependentes” que devem ser os tais que mais votam neles.
Não se vê nada feito por quem realmente trabalha a sério e sustenta (com trabalho e impostos) o país. Não se vê nada feito pelas empresas Portuguesas. Não se vê nada feito pela justiça, pela segurança, pela saúde, pela educação!!! Não se vê NADA!!!!
Li há uns dias num livro o seguinte: “da mesma forma que para se criar uma empresa são precisos investidores, para se criar um governo são precisos investidores também (legais ou ilegais). Mais tarde, quando a empresa está a funcionar e a dar lucro, os accionistas vão querer os dividendos para compensar o que investiram. Já no caso do governo, quando este ou aquele partido político está no poder, os seus investidores (legais ou ilegais como disse há pouco) vão querer o retorno do seu investimento.”
Mas será que as pessoas que votam num determinado partido político e este é eleito, não têm o mesmo direito de exigir o retorno do seu investimento (voto)????!!!
Todos nós investimos em algum político, partido político ou ideias políticas. Porque será que sempre que esses políticos quando vão para o governo, só ajudam aqueles que os ajudaram a chegar lá, não pelo voto, mas aqueles que ajudaram por outras formas????!!!
Isto é frustrante e realmente as coisas estão num caminho muito mau!!!

Adiante com politiquices, o que eu queria dizer é que por causa desta história das portagens vou ter de “apertar ainda mais o cinto”. Por causa das portagens, por causa dos preços do gasóleo, porque o meu carro está a ficar desgastado pelos seus 10 anos e 230.000Km, porque não tenho dinheiro para comprar um carro novo e arcar com a dupla tributação de impostos (ilegal pelas normas europeias) que ocorre na compra de veículos novos no nosso querido País, porque a empresa 100% Portuguesa onde trabalho, e onde se trabalha muito a sério, sofre todos os dias com a crise, com “caloteiros” que não pagam e continuam imunes à justiça portuguesa, ou com os Bancos que emprestam um “guarda-chuva” quando está sol e o pedem de volta mal começa a chover…!!!!
Por causa disto tudo e mais algumas coisas que certamente me terei esquecido, vou ter de realmente “apertar o cinto”.
Elaborei para mim próprio uma espécie de PEC pessoal (Plano de Estabilidade e Crescimento) e a primeira medida a entrar em vigor vai ser começar a ir trabalhar todos os dias utilizando o comboio como meio de transporte.
Vou deixar de utilizar 1 carro, para utilizar 4 comboios por dia, mais uns bons minutos de caminhada (total perda de conforto). Vou deixar de fazer percursos de 40 minutos de casa para o trabalho, para precisar de hora e meia para o fazer (total perda de tempo). Vão-se acabar os almoços junto à praia para almoçar (comidinha aquecida no micro-ondas) no escritório (perda de qualidade de vida). Vão-se acabar os cafés ao sol na esplanada da praia para começar a tomar café a olhar para o ecrã do PC (perda de qualidade vida mais uma vez). Vão-se acabar as idas à piscina durante a hora de almoço (perda de forma física). Vai-se acabar a despesa de mais de 200 euros mensais em gasóleo para começar a gastar 48 euros num passe de comboio (o que vai dar certamente para equilibrar as contas).
De uma forma geral vou perder alguma qualidade de vida, tempo e conforto (acaba-se este tipo de vida estilo “balnear 365 dias”) para poder equilibrar as contas (passando para um estilo de vida mais sub-urbano).
Com isto, a Galp e o restaurante “Pinhal da Aberta” vão perder um cliente. Por sua vez, a CP vai ganhar um novo cliente.
Há que ver as coisas pelo lado positivo, mais vale ser cliente da CP e comer comida de micro-ondas do que ser cliente do Centro de Emprego, ou não conseguir pagar as contas da EDP (essa mesma empresa que diz que tem gestores a ganharem fortunas).
Esta é a primeira medida do meu PEC. Por enquanto ainda me posso dar por satisfeito por ter emprego, por conseguir pagar as contas, para poder ainda ir fazendo algumas coisas que gosto (nem todas mas algumas). Outras pessoas não terão sequer esta sorte.
Junto-me a alguns milhões de Portugueses que estão já há muito a “apertar o cinto”, muitos deles, sem trabalho ou qualquer perspectiva animadora de futuro. Junto-me a muitos milhões que portugueses que neste momento lutam pela sua Estabilidade e já nem sequer sonham com melhores condições ou Crescimento.
Ao anormal do Ministro que quando foi questionado por um jornalista com a pergunta: “se for necessário vocês apertarem o cinto também, estão na disposição de o fazer?”, respondeu apenas “sim, apenas se for necessário”, eu deixo uma pergunta: Quando é que vai ser necessário e quem é que vai decidir que é necessário os políticos apertarem também o cinto? Quando muitos milhões de Portugueses o estão já a fazer sem alternativa, até que ponto de degradação social será necessário chegar para que esses senhores ganhem vergonha na cara????!!!!

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