29 outubro 2010

As cores com que me pinto


Pintam-me a branco e preto,
em telas e molduras simétricas.
Pintam-me com talhes convencionais,
sem perceber as minhas formas e tons reais.

Outrora desenhado em linhas rectas,
hoje sou órfão de ornatos e geometrias.
Sou uma pintura sem limites e sem metas,
sem cores acres ou frias.

Entre pinceladas certas e erradas,
vivo cada dia como um pintor insatisfeito.
Fugindo de ideias formatadas,
das criticas, dos estereótipos e preconceitos.

Assusta-me o monocromatismo da existência,
abandono o branco, o preto e o cinzento.
Pinto a vida com toda a minha essência,
em tons espirituosos, honestos e de alento.

Pinto a cor dos meus olhos quando tenho esperança,
Ilustro a negro quando a vida me cansa.
Divago em tons ébrios por um dia de sol em Dezembro,
Fantasio em tons quentes sempre que de ti me lembro.

Figuro o que de melhor e pior há no meu ser,
Remato à cor que me dá no momento.
Imagino como o final da obra há-de parecer,
desrespeito a tela, misturo as cores e invento.

Um dia alcançarei o Branco verdadeiro,
de tanta cor que sobrepus.
Nesse momento derradeiro,
Só o Preto ficará, pela ausência de Luz.


(Esgalhado por mim, eu próprio, Marco Moutinho)
(Texto protegido por Direitos de Autor)
(Quem tentar copiar, está fodido comigo!!!)

2 comentários:

VV disse...

Carago, amigo! Que espectáculo!

macadamia disse...

Ora aqui está um verdadeiro poema, uma ode às cores e ao saber bem escrever! Gosto muito, especialmente do "monocromatismo da existência" ... dava um bom título para um livro!
E adoro a forma como terminaste, a última quadra está muito boa!
Parabéns!

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