
Alguém disse um dia que “as pessoas que falam muito, mentem, porque esgotam a qualquer momento o stock de verdades.”
Será isto verdade? Não sei.
A verdade é que se continua a valorizar mais as pessoas que não sabem estar caladas, que falam sobre isto e sobre aquilo, sobre si e sobre os outros, sobre os problemas do mundo e da sociedade, e que aparentemente têm a solução para todos os problemas.
Pessoas que se dizem transparentes e que com meia dúzia de patacoadas (não necessariamente verdades) põem as pessoas à volta de boca a aberta a pensar “uau…!! esta pessoa sim é admirável…!!!
Se são verdades ou não, não interessa. Nem eu posso ousar dizer seja o que for sobre alguém. Mas pessoas querem é informação!!
É do género “não é preciso ser, basta parecer”, ou como na política, o Zé-povinho prefere sempre o político que está sempre a aparecer na TV, em conferências de imprensa, com discursos de “eu faço e aconteço”, em vez do político mais sério que se concentra mais a trabalhar e menos em aparecer ou comunicar.
Isto acontece em várias vertentes da vida, seja nos empregos (em que os patrões escolhem sempre o lambe botas em vez do trabalhador sério), nos grupos de amigos (que o gajo que come muitas gajas (supostamente) é o maior), nas famílias e por aí em diante…
Uma coisa que acontece muito na política é os gajos virem para a TV com ½ dúzia de verdades (todas elas completamente documentadas, testadas, provadas e comprovadas) e 3 dúzias de mentiras. Juntam tudo no mesmo pacote, fazem um embrulho bonito, e toca a enganar a malta desta forma. À estratégia de colocar uma série de mentiras junto a algumas verdades irrefutáveis chama-se “verdade por associação”. Desta forma, normalmente passa tudo!!!
Ou seja, o que está a dar é comunicar!!! Eu bem que devia saber disto, afinal sou um gajo do marketing, mas a minha estratégia de marketing pessoal tem andado errada há muito tempo.
Aliás, vivemos na era da informação e da comunicação, em que temos todas as ferramentas à disposição para falar-mos as nossas patacoadas à vontade.
Quando chegamos ao ponto de existirem redes sociais (tipo Twitter) que têm como finalidade única dizer-se o que se está a fazer (ex: estou a levar o cú com sabonete Dove e é muito macio e cremoso) ou comentar o que as outras pessoas andam a fazer (ex: eu também já experimentei o Dove e também gosto muito, o meu cú fica muito cheiroso), afinal andamo-nos nós aqui a seguir e a cheirar o cú uns aos outros (seja ou não lavado com sabonete Dove).
Isto a mim faz-me muita impressão!! Seja feito pela Internet ou não.
Tenho pensado muito sobre isto… sobre a invasão de privacidade e, ainda pior, sobre a permissão que as pessoas dão para serem invadidas. Será que esta sensação de invasão é o que enche o espaço vazio que as pessoas têm?
As pessoas querem, porque querem, que os outros absorvam o que dizem ou o que fazem (seja pelas redes sociais, seja por sms, seja por conversa, etc, etc, etc.
Depois há os outros… os calados, sobre quem recai todo o género de desconfianças, insinuações, culpas por tudo de mal que acontece e esquecimento quando tudo corre bem. São estranhos porque não falam, não têm (ou já não têm) facebook ou twitter e quase não aparecem no msn para conversa de treta.
Quem é que está certo no meio disto tudo? Oh pá, não sei!!
Com certeza que haverá gente com todo o tipo de feitios, uns mais comunicadores, outros menos, mas creio que pessoas sérias (ou que se esforçam por ser) há em todo o lado, falem muito ou falem pouco.
Mas uma coisa tenho a certeza… gente que diz tudo, diz mais do que deve, mais do que pode e mais do que sabe.
16 abril 2010
“as pessoas que falam muito, mentem, porque esgotam a qualquer momento o stock de verdades.”
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2 comentários:
Mas que inspirado...
Eu, assim como tu, também não sei quem está correcto. Assim como no continente há mil e uma marcas de sabonete, assim também são as pessoas. Feias ou bonitas, simpáticas ou antipáticas, altas ou baixas, comunicadoras ou fechadas, existem pessoas para todos os gostos. Como é da natureza humana, temos a tendência para nos aproximarmos das pessoas que têm mais coisas em comum connosco. Este tipo de questões só aparece quando simpatizamos (ou não) com alguém que é diferente de nós em algum aspecto. Faz-nos pensar e analisar os porquês.
A mim ensinaram-me desde muito pequena que nenhum homem é uma ilha. Na altura isto não fazia muito sentido e não conseguia deixar de imaginar um naufrago qualquer debaixo de uma palmeira a ver os dias a passar. Agora, o que entendo desta frase é que não é da natureza humana o isolamento. Faz-nos bem estar dentro de uma comunidade, partilhar com ela os nossos momentos bons e maus. Desta forma partilhamos os momentos de felicidade dos outros quando os nossos escasseiam (e vice-versa), aliviamos um pouco do peso que carregamos ás costas e ajudamos a carregar o peso de quem mais precisa. (Pelo menos assim deveria ser...)
Eu gosto desta ideia.
Mas ... como também nem toda a gente gosta do cheiro do Dove, aceito que nem todos gostem desta ideia de comunidade. Esta comunidade podem ser os nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, etc. Por alguma razão a raça humana é perita nesta coisa das comunidades, grupos, associações e afins. É claro que existe sempre o Lobo ALFA...mas até esse tem sempre a sua companheira. O macho alfa é quem toma as decisões na alcateia. Ele tem a força e habilidade de caça superiores às dos outros lobos. Sua companheira, que é seu par por toda a vida, comanda as fêmeas do grupo, e é a vice-líder, isso é, na ausência do alfa é ela quem toma as decisões do grupo. A sobrevivência da alcateia depende da sabedoria e liderança do CASAL alfa.
Conclusão: Não temos de ser todos iguais, se uns são mais comunicativos outros não serão, no entanto “Nenhum homem é uma ilha”.
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